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Vazamento do Intercept mostra Dallagnol com dúvidas se Moro iria investigar Flávio Bolsonaro

Questão era se prejudicar o filho do presidente poderia afetar ida do ex-juiz para o STF

Publicado em: 21/07/2019 às 18h09

- topmidianews

Foto: Helvio Romero - Estadão Conteúdo

Mais recente vazamento do The Intercept Brasil, que mostra conversas privadas entre procuradores da Força Tarefa da Lava Jato, diz que Deltan Dallagnol teve dúvidas se Sérgio Moro iria investigar Flávio Bolsonaro, filho do presidente. 

A divulgação ocorreu na tarde deste domingo (21). Nas conversas, o site afirma que o procurador Deltan Dallagnol demonstrou uma preocupação: ele temia que Moro não desse continuidade à investigação por pressões políticas do então recém eleito presidente Jair Bolsonaro e pelo desejo do juiz de ser indicado para o Supremo Tribunal Federal. 

De acordo com o site Conjur, a troca de conversas é entre Dallagnol e outros procuradores. 

“É óbvio o q aconteceu [corrpução de Flávio]… E agora, José? Seja como for, o presidente não vai afastar o filho. E se isso tudo acontecer antes de aparecer vaga no Supremo? Agora, o quanto ele vai bancar a pauta Moro Anticorrupcao se o filho dele vai sentir a pauta na pele?”, indaga a outros procuradores em conversas. 

Em outro momento, Deltan conversa em um chat privado com o também procurador Roberson Pozzobon e afirma que  estava relutante em fazer uma condenação mais severa de Flávio por temer as consequências políticas de desagradar o presidente – exatamente como sugeriu que Moro pudesse agir.

Segundo o jornal, no dia 21 de janeiro de 2019, em um grupo, Dallagnol disse ter sido convidado pelo Fantástico, da rede Globo, para uma entrevista sobre foro privilegiado. O procurador afirmou aos colegas que estava ansioso para falar do caso que a produção do programa indicou ser o foco da matéria – denúncias envolvendo o deputado federal Paulo Pimenta, do PT –, mas relutou em aceitar o convite por receio de que tivesse que falar também das tentativas de Flávio Bolsonaro de usar o foro privilegiado para barrar as investigações. 

“Eu não vejo que tenhamos nada a ganhar porque a questão do foro já tá definida.” Na ocasião, outros procuradores concordaram que a melhor opção era rejeitar o convite do Fantástico para evitar o que chamaram de uma “bola dividida Flávio Bolsonaro”.