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Levantamento aponta que 2 milhões de animais silvestres morrem atropelados em rodovias brasileiras por ano

Publicado em: 13/08/2019 às 06h30

- ruralnewsms

Um levantamento inédito feito por Alex Bater, pesquisador da Universidade Federal de Lavras (UFLA), aponta que mais de 2 milhões de animais de médio e grande porte morrem atropelados todos os anos em estradas, rodovias e ferrovias, inclusive dentro de áreas que protegem ambientes naturais.

Entre as rodovias mais perigosas para animais selvagens estão as BRs 262, 471, 226 e 155. O levantamento percorreu cerca de 30 mil quilômetros, de norte a sul do País, para a pesquisa de pós-doutorado de Alex Bager. ” O objetivo foi realizar um diagnóstico nacional do efeito de rodovias e ferrovias nas Unidades de Conservação. Além de coletar dados sobre atropelamentos de fauna selvagem, avaliar medidas de mitigação e coletar amostras de tecido de animais afetados por atropelamentos, realizamos ações de educação ambiental e promovemos cursos e palestras“, explica o pesquisador.

A pesquisa para pós-doutorado de Alex foi realizada entre agosto de 2018 e junho de 2019 em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Além de trazer dados referentes ao número de atropelamentos, o estudo também levantou informações sobre os impactos de estradas, rodovias e ferrovias em quase uma centena de parques nacionais e outras Unidades de conservação federais, estaduais e municipais.

Esta é a primeira vez que uma pesquisa desse modo é elaborada, desde então os efeitos dos atropelamentos de fauna não haviam sido avaliados em tamanha quantidade de áreas protegidas no Brasil.

O balanço feito pelo pesquisador aponta que 2.163.720 animais de médio e grande portes são atropelados a cada ano no País, inclusive dentro dos limites de áreas de proteção ambiental. Se somados aos animais pequenos e as vítimas fora de Unidades de Conservação, o número chegaria a 450 milhões de mortes anuais de animais silvestres nas estradas, rodovias e ferrovias. As estimativas são do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, da UFLA

Durante a pesquisa de campo, foram encontrados 529 animais de médio e grande porte, como tatus, tamanduás e capivaras. Desse total, 434 foram mamíferos (82%), 62 aves, 32 répteis e um anfíbio. A espécie mais afetada foi o cachorro-do-mato (210), seguido por tamanduá-mirim (43), tatus (40), tamanduá-bandeira (23) e capivara (23).