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Donald Trump e Nicolás Maduro confirmam conversas entre representantes

Presidentes dos EUA e da Venezuela admitiram que há um diálogo entre representantes das duas partes. Juan Guaidó acusa chavismo de 'enganar o mundo'.

Publicado em: 21/08/2019 às 07h09

- G1

Donald Trump, presidente dos EUA, e Nicolás Maduro, líder do chavismo na Venezuela — Foto: Kevin Lamarque e Manaure Quintero/Reuters

Os presidentes dos Estados Unidos e Venezuela, Donald Trump e Nicolás Maduro, confirmaram nesta terça-feira (20) conversas entre representantes dos dois lados.

Primeiro, Trump disse na Casa Branca que o governo dos EUA "fala com vários representantes na Venezuela". "Estamos ajudando a Venezuela tanto quanto podemos. Nos mantemos à margem, mas estamos ajudando", confirmou o norte-americano.

"Precisa de muita ajuda. Há 15 anos, era um dos países mais ricos, agora é um dos países mais pobres", afirmou Trump.

Pouco depois, Maduro apareceu em cadeia nacional de rádio e TV na Venezuela para confirmar as conversas. "Confirmo que há meses ocorrem contatos de altos funcionários do governo dos Estados Unidos, de Donald Trump, com o governo bolivariano que presido, sob minha expressa autorização direta", disse.

"Vários contatos, vários caminhos, para buscar solucionar este conflito", disse Maduro.

Apesar da confirmação dos contatos, os Estados Unidos continuam a considerar o oposicionista Juan Guaidó como legítimo presidente da Venezuela.

Negociações em segredo

Diosdado Cabello em foto de 9 de maio de 2017 — Foto: Federico Parra/AFP

A confirmação veio após uma reportagem da agência Associated Press relatar aproximação de Trump com o número dois do chavismo na Venezuela, Diosdado Cabello. Ele havia, entretanto, negado a informação, que chamou de "mentirosa" e "grande manipulação".

O venezuelano se encontrou no mês passado em Caracas com uma pessoa que tem contatos com a administração de Trump, de acordo com a informação desse chefe à agência Associated Press.

Cabello, de 56 anos, é uma autoridade poderosa dentro da Venezuela, e sua influência no governo e em forças de segurança aumentaram à medida que Maduro enfraqueceu.

Ele já foi acusado por funcionários dos Estados Unidos de estar por trás de casos de corrupção, tráfico de drogas e ameaças de morte contra um senador norte-americano.

Guaidó acusa Maduro de 'enganar o mundo'

Líder da oposição e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, participa de reunião em Caracas — Foto: Manaure Quintero / Reuters

Minutos depois de Maduro admitir o contato com a Casa Branca, Juan Guaidó usou as redes sociais para acusar o chavismo de "enganar o mundo" sem mencionar diretamente a confirmação das conversas.

"O regime crê que pode seguir submetendo os venezuelanos e enganando o mundo", afirmou.

Guaidó também disse que pressiona Maduro "para gerar uma transição pacífica à democracia". Ele mencionou a decisão do governo brasileiro em barrar a entrada de funcionários do regime chavista no Brasil.

"Nós, venezuelanos, estamos muito claros do que queremos, e o mundo também deu provas da fortaleza que somos como Presidência encarregada, de que exercemos uma maioria que representa uma alternativa de confiança, crescimento e resgate da democracia na Venezuela", concluiu.

Sanções contra Venezuela

Manifestantes protestam em Caracas contra falta de remédios na Venezuela nesta quarta-feira (14) — Foto: Federico Parra/AFP

No começo do mês, o governo dos EUA anunciaram sanções econômicas totais contra o governo da Venezuela, congelando todos os bens do regime de Nicolás Maduro e proibindo transações com ele, a menos que estejam especificamente isentas.

"Todas as propriedades e interesses em propriedade do Governo da Venezuela que estão nos Estados Unidos ... estão bloqueados e não podem ser transferidos, pagos, exportados, retirados ou de outra forma negociados", diz a ordem executiva, segundo a agência Reuters.

Apoiadores de Nicolás Maduro em uma passeata contra as sanções dos EUA — Foto: Federico Parra/AFP

Com as sanções, Maduro anunciou que não voltaria a participar das reuniões com a oposição liderada por Guaidó e mediadas pela Noruega. O chavista acusou o opositor de conspirar, com o governo norte-americano, para que os EUA impusessem as medidas.

Ainda assim, representantes da Noruega compareceram a Caracas na semana passada para insistir mais uma rodada de negociações.