Produção industrial de MS tem melhor resultado para o mês de setembro desde 2010

Em Mato Grosso do Sul, no 3º trimestre de 2020, 77,4% dos empresários industriais consideraram a margem de lucro operacional obtida no período como satisfatória ou boa

| JORNAL DA NOVA


Fiems / Imagens: Divulgação

Mesmo com a pandemia mundial do novo coronavírus (Covid-19), a produção industrial de Mato Grosso do Sul encerrou setembro em 57,5 pontos, sendo o melhor resultado já registrado para o mês em toda a sua série histórica iniciada em fevereiro de 2010, de acordo com a Sondagem Industrial realizada pelo Radar Industrial da Fiems junto a 63 empresas no período de 1º a 14 de outubro deste ano.

Segundo o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende, no último mês, 89% das empresas industriais do Estado apresentaram estabilidade ou aumento na produção - 47% das empresas com produção estável e 42% com crescimento. “Comparando com o mesmo mês do ano passado, essa participação foi superior em 14 pontos percentuais. Com esse desempenho, o índice de evolução da produção fechou setembro de 2020 com crescimento de 8 pontos na comparação com igual mês do ano anterior e de 8,4 pontos sobre a média histórica obtida para o mês”, analisou.

Em relação à utilização da capacidade instalada, o setor industrial alcançou o maior patamar para o mês de setembro dos últimos seis anos. “Em setembro, 73% dos respondentes disseram que a utilização da capacidade instalada ficou igual ou acima do usual para o mês. Já o patamar médio de utilização da capacidade total ficou em 74%, indicando aumento de 2 pontos percentuais em relação a setembro de 2019. O indicador de uso efetivo em relação ao usual fechou o mês de setembro em 53,0 pontos, resultado 9,2 pontos acima da média histórica obtida para o mês”, pontuou.

O economista acrescenta que as condições financeiras apresentam melhora no 3º trimestre de 2020. “De um modo geral, os empresários industriais de Mato Grosso do Sul se mostraram satisfeitos com a margem de lucro operacional de suas empresas no terceiro trimestre de 2020, com o indicador alcançando 51,7 pontos. Comportamento semelhante foi verificado em relação a situação financeira geral da empresa, que marcou 53,5 pontos, enquanto a exceção ficou por conta das condições de acesso ao crédito com 42,6 pontos, indicando que essa variável segue negativamente avaliada pelos empresários industriais do Estado”, detalhou.

Em Mato Grosso do Sul, no 3º trimestre de 2020, 77,4% dos empresários industriais consideraram a margem de lucro operacional obtida no período como satisfatória ou boa. Na mesma comparação, a situação financeira geral da empresa foi avaliada como satisfatória ou boa por 87% dos participantes, enquanto o acesso ao crédito foi considerado difícil por 21% dos empresários, 24,2% responderam não ter buscado crédito no trimestre e 83,8% responderam que houve aumento dos preços das matérias-primas utilizadas.

Ezequiel Resende reforça que as principais dificuldades enfrentadas pelos industriais de Mato Grosso do Sul no 3º trimestre de 2020 foram falta ou alto custo da matéria-prima, elevada carga tributária, falta ou alto custo de energia, taxa de câmbio, competição desleal (informalidade e contrabando) e inadimplência dos clientes. “Também estão incluídas nessa lista a falta ou alto custo de trabalhador qualificado, falta de capital de giro, demanda interna insuficiente, falta de financiamento de longo prazo e insegurança jurídica”, acrescentou.

Fiems / Imagens: Divulgação

Perspectivas
Com relação ao índice de expectativa do empresário industrial, o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems explica que a demanda alcançou, em outubro, 64,5 pontos, sinalizando expectativa de aumento para os próximos seis meses. “Em relação ao mês anterior, o índice apresentou estabilidade. Em outubro, 58,1% das empresas responderam que esperam aumento na demanda por seus produtos nos próximos seis meses, enquanto, para o mesmo período, 4,8% preveem queda e as empresas que acreditam que o nível de demanda se manterá estável responderam por 37,1% do total”, falou.

A respeito dos empregados, em outubro, o índice foi de 59,5 pontos, sinalizando que o número de contratações deve aumentar nos próximos seis meses. Em relação ao mês anterior, o índice apresentou estabilidade e, em outubro, 37,1% das empresas disseram que o número de empregados deve aumentar nos próximos seis meses, enquanto 1,5% acreditam que esse número deve cair e 61,4% das empresas esperam manter o número de funcionários estável.

No caso das exportações, o índice chegou a 60,1 pontos, sinalizando que as vendas externas devem aumentar nos próximos seis meses a partir de outubro. Em relação ao mês anterior, o índice apresentou uma melhora de 2,1 pontos, sendo que em outubro 12,9% dos respondentes disseram esperar aumento nas exportações de seus produtos nos próximos seis meses, enquanto 3,2% acreditam que deva ocorrer queda, as empresas que preveem estabilidade para suas exportações responderam por 8,1% do total e 75,8% disseram que não exportam;

Sobre a intenção de investimento do empresário industrial, ela segue se recuperando e melhora na passagem de setembro para outubro, pois, em outubro, o índice ficou em 58,8 pontos, apontando aumento de 1,4 ponto sobre o mês anterior e de 7,4 pontos em relação à média histórica do mês. “O resultado reflete a participação somada das empresas industriais que disseram que provavelmente ou seguramente farão investimentos nos próximos seis meses, que alcançou o equivalente a 66,2% do total. Por fim, o índice varia de 0 a 100 pontos, quanto maior o índice, maior é a intenção de investir”, informou o economista.

ICEI
O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Mato Grosso do Sul (ICEI/MS) alcançou em outubro 64,7 pontos, indicando aumento de 1,3 ponto, quando comparado com o mês anterior e de 9,3 pontos em relação à média histórica do mês. “A melhora na confiança deve-se, sobretudo, a manutenção do otimismo do empresário com relação aos próximos seis meses. Somada também a percepção de que a economia está se recuperando, em especial pela melhora na avaliação das condições atuais da economia brasileira e sul-mato-grossense. Sinalizando que, na percepção do empresário, está cada vez mais claro que o pior momento da crise causada pela pandemia ficou para trás”, disse Ezequiel Resende.

 

Fiems / Imagens: Divulgação

Em outubro, 14,5% dos respondentes disseram que as condições atuais estão piores considerando a economia brasileira, estadual e o desempenho da própria empresa. Já para 45,2% dos empresários não houve alteração nas condições atuais da economia brasileira, sendo que em relação à economia sul-mato-grossense esse percentual foi de 46,8% e, a respeito da própria empresa, o número ficou em 32,3%.

Por fim, para 38,7% dos empresários as condições atuais da economia brasileira melhoraram, enquanto em relação à economia estadual esse percentual ficou em 37,1% e, no caso da própria empresa, o resultado foi de 51,6%. Já os que não fizeram qualquer tipo de avaliação das condições atuais da economia brasileira, estadual e do desempenho da própria empresa responderam igualmente 1,6%.

Sobre as expectativas para os próximos seis meses, o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems revela que, em outubro, 3,2% dos respondentes disseram que estão pessimistas em relação a economia brasileira, estadual e quanto ao desempenho projetado para a própria empresa. Os que acreditam que a economia brasileira deve permanecer na mesma situação ficou em 30,6%, sendo que em relação à economia do estado esse percentual também alcançou 30,6% e, a respeito da própria empresa, o número chegou a 22,6%.

Além disso, 64,5% dos empresários se mostraram confiantes e acreditam que o desempenho da economia brasileira vai melhorar, enquanto em relação à economia estadual o resultado também ficou em 64,5% e, no caso da própria empresa, 72,6% dos respondentes confiam numa melhora do desempenho apresentado. Os que não fizeram qualquer tipo de avaliação das expectativas em relação à economia brasileira, estadual e do desempenho da própria empresa responderam igualmente por 1,6%.

 



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