Nova Andradina concede licença paternidade inédita

Viúvo aos 36 anos, pai conta como supera a dor para cuidar da filha


Marcos Rodrigues da Silva é motorista, mora em Nova Andradina com a filha Ester, de dois meses, e passou por uma experiência que ninguém deseja viver: perdeu sua mulher de forma inesperada. A esposa de Marcos, Claudinéia Flor da Silva, com quem ele estava casado há pouco mais de um ano, morreu de complicações após o parto. Desde então, Marcos viu sua vida virar de cabeça para baixo, mas não perdeu a fé e tem feito o seu melhor para cuidar da filha.

Essa história mostra a união de uma família. Ester nasceu com muita saúde. Já a mãe, Claudinéia chegou a caminhar até o quarto do hospital, amamentar a filha e olhar nos olhos da filha, mas teve complicações e, infelizmente, morreu horas depois do nascimento.

O pai, então, assumiu, com a ajuda de familiares, a missão de criar a menina e fazer dela uma vencedora. Isso mesmo, é Marcos quem cuida de Ester. Ele conseguiu o direito da licença paternidade junto ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) com o apoio da empresa em que trabalha e se tornou o primeiro pai de Nova Andradina a conquistar este benefício. “Fomos atrás do direito de estar esses primeiros 120 dias com minha filha e graças a Deus deu tudo certo. A Usina Santa Helena, os amigos, a família, muita gente tem nos ajudado. Só tenho a agradecer”, disse o motorista.

Com direito garantido e as lembranças ainda recentes, Marcos tenta superar a dor e aproveitar do seu bem mais precioso deixado pela sua mulher, sua filha. Agora, com o apoio da família e pensando no melhor para o bebê, tenta recomeçar a vida.

Como conta a tia Geni Pereira dos Santos, que é tia avó de Ester, Marcos tem apenas um irmão, Marcio, são gêmeos. Apesar de serem homens, sua mãe, desde muito cedo, ensinava-os a lidar com as coisas da casa. “Só tínhamos homens na família, então, eles aprenderam a cozinhar, lavar, passar. Pra ver como a vida vai preparando as coisas”, acredita a tia de Marcos.

“Tivemos este ensinamento, então, isso me facilitou um pouco para dar conta das coisas da casa. Agora, com a Ester é tudo novo, mas a pediatria e a família tem me ajudado muito. Me ensinaram a dar banho, trocar as fraldas, fazer a mamadeira”, relata o pai.

Segundo a tia, no começo foi tudo mais difícil. “A lembrança é muito forte, muito recente. Ele teve uma gravidez de risco, devido a um mioma. A médica passou todos os procedimentos de como deveria ser o parto, mas faltou recursos para o atendimento no pós-parto.  Num momento estava bem, depois começou a passar mal. Foi muito chocante, traumático, mas a Ester está conseguindo amenizar esta dor para toda a família”, diz emocionada Geni.

É justamente o apoio dentro de casa que o papai mais agradece. Desde que Ester foi para casa, Marcos e o bebê se dividem entre duas casas, a de outra tia, Vilma, e a residência do casal. “Ela tem dois berços e, por enquanto, eles dormem em casa, até o Marcos estar mais seguro e tranquilo. Mas, ele ajuda a fazer tudo, desde a mamadeira até o banho, as trocas. É um processo de adaptação, mas ele está indo muito bem”, destaca Vilma, outra tia de Marcos.

Papai de primeira viagem, Marcos já sabe quando o chorinho é de fome, de cólica ou quando quer carinho. “Eu fico com ela sozinho durante toda a parte da manhã. Cuido e faço tudo que precisa. Ele tem um quartinho aqui e as coisinhas dela. A gente tá se dando bem”, revela, com os olhos marejados.

De família evangélica, ele afirma que jamais perdeu a fé em Deus e quando for o tempo certo, contará a filha sobre a mãe, sobre como ela foi desejada pelos dois. Emocionado, ele entrega o destino a Deus, que se encarregará de iluminar o futuro. “Estamos tentando superar as dificuldades. Deus tem nos dado força para lutar. Vamos encaminha-la na vida de Deus para ter uma vida melhor”, disse Marcos.

Geni também exalta a religião para falar do sobrinho: “A formação religiosa tem sido a base dessa sustentação. O Marcos não esperava estar de licença paternidade, ninguém espera isso. Mas ele preferiu passar este tempo, que a lei lhe deu este direito, para se aproximar e acompanhar a Ester e, principalmente, se recuperar emocionalmente. Precisa curar as feridas para voltar ao trabalho”.

A trajetória de pai e filha daria um livro. Drama, superação. Mas, essa história só está começando a ser escrita. E se depender de Marcos, todos os obstáculos vão ser superados. “A Ester é uma joia. Sempre tive o sonho de ter uma filha. Minha família é muito pequena. Quero dar o melhor de mim para que ela tenha um futuro, que ela esteja sempre junto a família, porque a família é fundamental”.

E encerra, falando como foi o seu primeiro dia dos pais: “Foi uma felicidade tremenda tê-la nos braços, ter esse momento realizado. Mas, é claro que a gente ainda pensa em tudo que aconteceu”, diz, demonstrando que ainda sofre com a perda da companheira.

Mais uma vez, vem da família a resposta para aliviar a dor. “Se Deus permitiu que isso acontecesse é porque Deus tem algo na nossa vida. Deus conhece a vida do Marcos, sua honestidade, sua força. Se fez isso não é para que sofresse, mas que crescesse. Graças a Deus temos uma família e daremos todo o suporte que ele e a Ester necessitam. A nossa menininha tem nos ajudado a amenizar a dor, e as vezes, a gente se perde de alegrias por ela. Com o apoio dos amigos, da família, da empresa, da igreja, todos estão o ajudando a voltar a caminhar, a se colocar de pé para que possa trilhar a sua vida, ao lado, da filha”.

E Marcos completa: “A cada sorriso, cada conquista, a gente vai se fortalecendo e aprendendo a ser pai”, encerra.



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