Mato Grosso do Sul está acima da média nacional em uso de drogas ilícitas por adolescentes

Campo Grande também supera média das capitais do país no consumo de substâncias químicas ilícitas por jovens

| MIDIAMAX


Dados da PeNSE 2019 são preocupantes para o Estado e a Capital - Foto: Reprodução/Pixabay

Alerta para pais e responsáveis! Mato Grosso do Sul e Campo Grande estão acima das médias nacional e por capitais de consumo de drogas ilícitas por adolescentes de 13 a 17 anos, de acordo com a PeNSE 2019 (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), divulgada sexta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Entre as drogas investigadas pela pesquisa estão maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança-perfume e ecstasy.

O estudo foi feito com estudantes que estão frequentando do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio.

Aos alunos, foi perguntado se já experimentaram drogas ilícitas alguma vez, se experimentaram antes dos 13 anos, se usaram drogas ilícitas nos 30 dias anteriores à pesquisa e se fizeram o uso de maconha e crack durante esse período.

Mato Grosso do Sul esteve acima da média nacional em todos os questionamentos acima, assim como Campo Grande superou a média entre as capitais nas mesmas categorias. O percentual nacional de estudantes que já experimentaram drogas ilícitas alguma vez ficou em 13%, enquanto o estadual foi de 14,4%. O percentual entre as capitais foi de 15,7%, já em Campo Grande, 18,3%.

Vários fatores podem influenciar no consumo precoce de drogas ilícitas. A psicóloga, Rosângela Barros, destaca que  a adolescência é uma fase do desenvolvimento em que o indivíduo fica vulnerável ao passar por diversas mudanças físicas e psicológicas, tornando-se, assim, grupo de risco. “O anseio por novas experiências característico dessa fase, a necessidade de afirmação e pertencimento ao grupo, que pode levar os adolescentes a entrar em contato com a droga. Além de conflitos familiares, onde a droga passa a ser vista como um escape da realidade', afirma a psicóloga.

Com relação ao primeiro contato com as drogas, o Estado registrou 5% de adolescentes que usaram drogas ilícitas pela primeira vez com 13 anos ou menos, um pouco mais da média nacional de 4,3%. A média entre as capitais ficou em 5%, abaixo dos 6,4% registrados na Capital sul-mato-grossense.

As consequências do uso precoce de drogas podem permanecer  para o resto da vida. “As consequências variam desde prejuízos nas funções psíquicas como, memória e aprendizagem, prejuízos no raciocínio, até o desenvolvimento da dependência química', pontua Barros.

O percentual de escolares que usaram drogas nos 30 dias anteriores à pesquisa no Brasil foi de 5,1% e, em Mato Grosso do Sul, 5,7%. Entre as capitais, o percentual ficou em 6%, mas em Campo Grande atingiu 8,4%, acima de todas as outras capitais da região Centro-Oeste.

Com relação ao uso de maconha no período de 30 dias antes da pesquisa, o Brasil teve percentual de 5,3% e Mato Grosso do Sul, 5,8%. Novamente, Campo Grande teve um aumento mais expressivo com relação à média das capitais, registrando 8,3% contra 6,2%. Mais uma vez, foi a capital com maior percentual do Centro-Oeste.

Sobre o uso de crack nos 30 dias anteriores à pesquisa, MS ficou apenas 0,1% acima da média nacional, que foi de 0,6%. Porém, Campo Grande teve um percentual de 1,6% enquanto a média das capitais ficou em 0,5%. Assim como nas categorias anteriores, Campo Grande ficou acima de Goiânia, Brasília e Cuiabá.

Para os pais e responsáveis fica o alerta para observar mudanças de comportamento nos jovens, pois isso pode indicar uso de substâncias químicas. “Um jovem que sempre foi comunicativo, próximo à família, de repente fica mais recolhido, quieto, isolado. Mudanças de humor, maior irritação, por exemplo, alterações de sono e apetite', elenca a psicóloga. Barros também ressalta a procura ou necessidade de dinheiro como indicadores da ocorrência do uso de drogas.

Além disso, a psicóloga reforça a importância do diálogo como forma de prevenção e também de suporte a esses adolescentes. “É importante praticar essa observação e principalmente criar um espaço de diálogo, falar abertamente sobre o assunto ajuda, mostrar pro adolescente que ele tem na família esse espaço de comunicação e vínculo'.

A procura de apoio profissional é de extrema necessidade em casos de dependência química. Campo Grande conta com um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Infanto-Juvenil, que oferta atendimento especializado para crianças e adolescentes com transtornos mentais e em uso de álcool e outras drogas. O atendimento no CAPS é feito por meio de encaminhamento pela atenção básica ou em situação de surto.



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