Vereador explica como efetuou gravações e diz ser intimidado após denunciar prefeito

Foi adiantado R$ 15 mil do suposto esquema, diz Ferro


O ex-presidente da Câmara Municipal de Ivinhema, Juliano Ferro (PR), detalhou em entrevista ao Jornal da Nova, como procedeu para reunir evidências e denunciar o prefeito Tuta (PSDB), em suposto esquema de corrução envolvendo repasses da Câmara à Prefeitura e pagamento de propina aos vereadores da base do governo. Segundo Ferro, o esquema se resume em “redistribuir” R$ 50 mil já previstos em devolução de duodécimo ao Executivo entre os parlamentares aliados ao prefeito sob a recompensa de reembolsar R$ 25 mil como presidente da Casa de Leis.

O vereador, que deixou de ser presidente após cobrir 140 dias de afastamento do então presidente Júnior do Posto (PPS), que se licenciou para tratamento de saúde, afirmou que negou proposta feita pelo prefeito Tuta e gravou diálogos que explicitam o esquema. A primeira divulgação do conteúdo foi realizada durante sessão no último dia 18 de setembro, mas a denúncia foi protocolada na Promotoria de Justiça de Ivinhema no dia 19.

O vereador disse ainda que recebeu R$ 15 mil como adiantamento para participar do esquema. “Eu percebi que ele [prefeito Tuta] já estava desconfiado. Foi quando eu não tinha mais como gravar ele. Só que aí eu comecei a cobrar ele, falei que queria pegar o dinheiro. Foi para ter provas concretas. Foi aí que eles me adiantaram R$ 15 mil”, contou.

Investigação e ameaças

O dinheiro foi submetido à Promotoria no ato da denúncia. Conforme Ferro, os diálogos e pagamento aconteceram no mês de agosto dentro da Prefeitura. O caso também foi denunciado na Câmara e deve ser investigado. “Automaticamente vai ser montada uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)”, adiantou o parlamentar.

Juliano Ferro também contou que é alvo de intimidação. “É ameaça, telefone não identificado falando que eu vou pagar caro. Muita conversa, de levantar minha vida, ver se eu tenho alguma coisa errada. Que a polícia vai descobrir coisas erradas na minha vida”, detalhou.

O Ministério Público Estadual (MPE) afirmou que vai investigar a denúncia protocolada pelo vereador. A investigação será conduzida pelo 1º Promotor de Justiça de Ivinhema, Daniel do Nascimento Britto. Já o prefeito Tuta informou por meio de nota à imprensa que “jamais qualquer ato de corrupção ou pagamento de vantagens indevidas a Vereadores [SIC] ou a qualquer outra pessoa ocorreu na administração municipal no curso de seus mandatos como Prefeito [SIC]”. O informe diz ainda que todos os trâmites de devolução de duodécimo estão devidamente registrados em documentos bancários e contábeis.



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